Dinamarca

Dar a luz na Dinamarca – parte 1

13 de August de 2015
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No post passado eu contei como era a área de saúde aqui na Dinamarca. Hoje eu venho contar como é dar a luz aqui.

Bom, como eu já tinha dito no post anterior, eu escutava muuuuitas histórias bizarras sobre os hospitais daqui. Ouvi também muita coisa ruim sobre a maternidade e do jeito que as “parteiras” tratam as mulheres.

Por muito tempo, eu vivi aqui com uma coisa em mente: Eu não teria filhos nesse país nem que a vaca tossisse. Graças a Deus, com o tempo eu fui vendo que aquelas historias absurdas eram apenas historias de pessoas que, infelizmente, não tiveram sorte. Eu comecei a ver que aqui era um dos melhores países em relação a área de saúde (não só da saúde… rs).

Quando eu engravidei da Olivia, eu já estava certa que a teria aqui. Eu já conhecia os hospitais, meus médicos, e já estava me sentindo segura em relação a isso.

Aqui na Dinamarca, quando vc descobre que está grávida, precisa marcar uma consulta com um dos seus médicos até a semana 8 de gestação. Se vc não tem certeza quando engravidou, vc tem que falar para eles e assim eles podem te mandar para algum ginecologista para te examinar internamente (tudo pago pelo governo).

Na primeira consulta, ela começa a preencher um formulário que vai ser o seu “journal” (diário) da gestação. Lá, ela escreve o seu peso, o tempo de gestação, doenças de família, preferência de onde vc irá ter seu bebê, etc. Lá tem tudo sobre vc e também um pouco do seu companheiro (pai do bebe). É preciso levar esse journal cada vez que se tem uma consulta.

-Na clínica do seu médico, é preciso fazer exame de urina.

Logo depois, é enviado uma carta do hospital/maternidade escolhido, te pedindo para ir até lá fazer um exame de sangue – Aqui se vc não tiver nada de preocupante no seu exame, eles simplesmente não te respondem, então é bom não ter respostas de exames! 🙂

Se tem consulta com o médico a cada duas ou três semanas, e lá ele pergunta sobre o seu psicológico, seu físico, e sempre anotando no seu journal. Depois de um determinado período de gravidez essas consultas irão acabar e vc vai ser transferida para uma “jordemor” (parteira). Lá ela fará praticamente a mesma coisa que sua médica, só que ela é mais experiente no assunto “parir”, então é ótimo para tirar dúvidas, já que já vai estar chegando a hora do bebê nascer.

Vc só irá voltar para o seu médico se caso acontecer alguma coisa com vc ou com o bebê. Vc pode também, sempre que quiser, escrever emails para o seu médico (eu fiz demais isso).

Na jordemor, vc pode falar exatamente como vc quer que o seu parto seja realizado (se quer na banheira, com anestesia, com gas, etc).

Se tem consulta com a parteira quase a cada 2 semanas, e quando a data do nascimento ficar mais perto, é toda semana.

Não sei se vcs perceberam, mas eu não falei nada a respeito de parto normal, cesariana, né..

Bom, aqui os médicos, jordemor nem chegam a perguntar se vc quer uma coisa ou outra. Aqui é prioridade o parto normal, o que eu acho MARAVILHOSO! Aqui, cesariana é apenas se vc tem algum trauma (forte) de algum outro parto já feito, ou por causa de alguma doenca que possa prejudicar vc ou o bebê.

Na minha gravidez da Olivia, eu cheguei a perguntar a minha médica sobre a minha mãe que, teve três cesárias porque o médico dela tinha falado que ela não TINHA PASSAGEM. A médica olhou para mim e ficou pasma. Eu acho que ela tinha me achado muito burra! rsrs

Ela, rindo um pouquinho, me explicou tudo muito bem explicado. Ela disse que toda mulher tem passagem, é a natureza da mulher. Ela só se preocupa se a mulher for beeeeem magrinha, e não tiver muito quadril, porque aí PODE SER capaz que ela terá algum problema pélvico durante a gravidez, ou simplesmente o bebê tiver dificuldade de encaixar – e mesmo assim eles tentam fazer um parto normal, e se realmente não der, ai eles fazem uma cesária na hora (mas geralmente elas conseguem ter normal sem problema). Ou seja, eles não marcam nenhuma cesária antes de saber se realmente terá algum problema.

No Brasil, muitas vezes, os médicos dizem para as mulheres fazerem cesaria, simplesmente pelo motivo do incomodo que ele terá que ter esperando o bebe querer nascer (e se ele quiser nascer de madrugada? O médico terá que acordar… tadinho). E também pelo valor da cesaria que é mais que o dobro do valor de um parto normal – dá até nojo!! Bom, pareço raivosa, mas é porque eu fico quando eu falo desse absurdo que é no Brasil. Eles tratam as mulheres como animais – corta de um lado, corta do outro, e o pior, eles nos enganam! Aff, revolto mesmo! É um direito da mulher saber a verdade e querer dar a luz de uma forma natural.

Chega de revolta… Respira… To melhor! 🙂

Bom, vou parar por aqui… mas eu volto aqui para terminar de contar tuuuudo sobre a hora D… o parto em si.

Até a próxima! Beijinhos

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  1. Oi! Então você teve parto normal? Com anestesia? No hospital? Como foi? Moro em CPH também e estou super na dúvida, pelo medo. Pode me contar mais? Mto obg!

    1. Oi Isabella.
      Claro que posso! 😊
      Bom, eu já tive dois partos normais aqui na Dinamarca e todos foram ótimo.
      Apesar de terem demorado bastante…
      Assim que vc começar a sentir algumas contrações, tente contar os intervalos, pois quando vc ligar para o hospital escolhido ele vão te perguntar para saber se vc já pode ir pra lá ou é melhor esperar em casa até os intervalos ficarem mais perto um do outro.
      Assim que vc chegar lá, eles irão te examinar e te dizer quantos centímetros de dilatação vc está. Se for 4 cm ou mais vc já pode ir para uma salinha do trabalho de parto, onde vc vai ter uma “jordmor”(parteira) só para vc e seu bebê. Ela ficará com vc ate o parto acontecer. (Com o Theo trocaram de parteira depois de uma hora pq o plantão dela tinha acabado… mas isso é raro).
      Vc pode pedir anestesia ou outros tipos de alívios… tem o gás, banheira, bola, epidural (eu tive essa e recomendo, pois vc não sente nada… até a hora de empurrar!)
      Eles não te cortam para ajudar na passagem do bebê como fazem no Brasil. A não ser que seja beeeeeeeeeem preciso. Eu, na verdade, nunca ouvi. O que ele podem fazer se o bebê tiver “preso”, é usar o copo sugador na cabecinha do bebê. Não é perigoso, a cabecinha do bebê só ficar um pouco apontada por uns dias.
      Depois que ele nasce, ele fica com vc todo o tempo. Aqui não existe berçário. Se tiver alguma coisa com o bebê vai ter uma sala pra ele onde vcs vai ficar juntos o tempo todo.
      Mas se não ocorrer nada com o bebê vcs tem o direito de ficar no hospital ou no hotel do hospital até dois dias (eu recomendo ficar esses dois dias para tirar dúvidas com as enfermeiras e tudo mais). No hospital eles dão praticamente tudo, a não ser as roupinhas do bebê e suas. E vc tem direito de ter um acompanhante junto.
      Lá, eles fazem pequenas palestras/reuniões sobre amamentação e outros assuntos bem úteis.
      Depois é só ir para casa com a sua nova família! 😊
      Sendo que tem um telefone que eles para as recem mamães ligarem em caso de dúvidas.

      Bom, eu espero ter ajudado! E qualquer outra dúvida é só me chamar aqui! 🙋🏻

      Beijao e boa sorte com tudo! Pode ter certeza que tudo vai dar certo.

      Nath

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