Dinamarca | Família

Como é se relacionar com um dinamarquês?

10 de September de 2015
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Como eu já estou casada com um dinamarquês a mais de 7 anos, entendo bem do assunto.

É importante eu falar que tudo o que eu vou falar aqui é generalizado com o que vejo, e a maioria dos fatos que vou contar vem de experiência própria.

Então vamos lá!
Como é se relacionar com um dinamarquês?

1. Cuidado, que eles adoram ficar de cueca!

Assim que conheci o Kim (meu marido, pai dos meus filhos, razão do meu viver…blablabla <3), eu era bem jovem e tinha praticamente acabado de chegar na Dinamarca. Depois de mais ou menos umas 2 semanas de namoro ele foi me visitar por um fim de semana(em outra cidade onde eu vivia com a minha mãe). Na primeira noite, ele tomou um banho e colocou uma camiseta para dormir e resolveu ficar de camiseta e cueca na nossa frente, como se ficar “semi-nu” na frente de “estranhos” fosse normal. Gente, imaginem a cara da minha mãe (e da minha também) de vê-lo de cueca. Detalhe, a cueca ainda era branca e ele fez questão de deitar na cama com a gente para conversar (eu e minha mãe temos esse hábito de conversar no quarto, de preferencia deitadas, beeeem relaxadas). Eu não sabia onde enfiar a minha cara de vergonha e nem a minha mãe… rs

Ele, como sempre, super desligado, nem sabendo o porque que estávamos tão quietas e sem graça. Depois que eu vi que ele não iria “se tocar”, eu o peguei e levei para outro lugar e disse para ele que seria melhor ele colocar um short, calça, alguma coisa que tampasse aquele visual. Ele ficou sem entender muito bem, mas colocou um short. Mais tarde conversamos sobre isso e ele entendeu melhor as diferenças de cultura. Hoje em dia, como a minha mãe já está acostumada, ela não liga muito, até porque ele ainda cisma de aparecer de cueca pela casa. Digo que melhorou um pouco, mas não mudou totalmente. Fazer o que né….

2. Para que tanta sinceridade?

Eu – “Amor, eu estou com saudade de você!”

Ele – “Hum…”

Eu – ” Você não está com saudade de mim?”

Ele – “Mas faz dois dias que nos vimos, amor…”

Aff… Dói até de lembrar! Rsrs

Foi assim o nosso começo. Eu sentia tanto essa diferença de cultura que já pensei em desistir muitas vezes. Mas não, eu tive esperança que eu ou ele, ou os dois, iriam mudar e a relação iria dar certo, e deu! 🙂 Tiveram outros momentos parecidos com esse que eu pensei, “Putz, da próxima vez eu nem pergunto!”.

Eles são sinceros! E eu acho isso ótimo, mas eles também tem que saber que uma mentirinha de vez em quando faz bem a relação.

Eu vivia dizendo isso para ele, o que para ele parecia algo muito estranho de falar – “É bom mentir?”. Mas uma relação onde a mulher pergunta se está gorda e ele responde “Sim!” pode doer bastante e pode até ficar uma relação fria entre os dois.

Eu não digo que é para mentir com mentiras grandes que, coloca a relação em risco, mas uma mentirinha para dizer que também está com saudade não faz mal a ninguém, né?! Rs

Ah, hoje ele mudou, e eu também. Aprendi muito e hoje eu sei que o jeito dele é assim mesmo e assim que eu o amo.

Hoje, faço menos perguntas do tipo que já sei a resposta, e ele aprendeu a mentir um cadinho também rs.

3. Sr. Gentileza

Pensam em alguém gentil? Pensaram? São os dinamarqueses. Não falo só dos homens, mas das mulheres também.

É uma educação excepcional, e essa educação vem de casa. É um respeito com o outro que dá até raiva quando pensamos no Brasil.

Os dinamarqueses nos tratam com gentileza e muito respeito. A 7 anos com o Kim, eu nunca me senti inferior a ele, ele nunca levantou a voz, nunca me deixou por fora dos acontecimentos na família (no começo quando eu não falava dinamarquês), nunca me interrompeu nas conversas, nunca me violentou (em nenhuma das formas), se preocupa comigo, com meus filhos então. Enfim, ele é muito gentil, como todos os homens deveriam ser, não só com as mulheres, mas com todos.

É claro que ele tem defeitos, como todo mundo, mas gentileza ele tem até de sobra.

4. Ele me ama?

Confesso que no começo da relacionamento eu fiquei um pouco insegura em relação ao amor que ele sentia por mim.

Eu lembro que eu já fui entregando meu coração para ele depois de pouquíssimo tempo (coisa de latina, né rsrs), e ele sempre se comportando muito bem, com os pés no chão. Dizia que me amava também, mas de um outro jeito, do jeito dele. E para eu me acostumar com esse jeito, demorou muito. Eu não entendia porque ele não me ligava só para dizer o quanto me amava, não gostava muito de me beijar na frente dos amigos e nem da família dele, isso tudo parecia muito estranho.

Com o tempo fui o conhecendo mais e conhecendo a cultura dinamarquesa junto com os comportamentos das pessoas daqui, e fui respeitando melhor o jeito deles de ser, ou melhor o jeito do Kim de ser e de amar.

Aqui na Dinamarca, eles não são muito de falar para você diretamente ou de mostrar para o mundo todo ver que eles te amam. Eles são de provar, mostrando para você que eles te amam com ações/atitudes. Eles dão flores, te respeitam, te levam para jantar, te dão presentes, te levam para conhecer a família toda e amigos, desmarcam o tempo que eles tem os amigos só para estar com vocês, etc. É assim que eles te dizem que te amam. Com atitudes.

5. O nosso almoço virou janta

Para quem sempre almoça comida (arroz, feijão, carne, etc) e pretende se mudar com o namorado dinamarquês, se prepare que seus almoços nunca mais serão os mesmos.

Aqui na Dinamarca eles, simplesmente, não comem comida quente no almoço, e sim na janta. Aqui, o almoço deles é baseado em pão preto com algum tipo de “pålægge”(frios) em cima do pão. E a janta começa a partir das 6 hr da noite, onde eles comem batatas com algum tipo de carne (generalizando legal, mas é assim mesmo).

6. Paizão

Como eu já disse antes que eles são bem educados e a educação deles vem de casa, a tendência é seguir com ela, né?

Quando eles tem filhos, eles viram os paizões do ano com orgulho. É tão lindo de se ver.

Eles participam, se preocupam, brincam, conversam, educam, cuidam mesmo, além de assumir ($) o que é o básico, né.

Cada vez que eu vejo o Kim com os nossos filhos meus olhos se enchem de lágrimas de felicidade de ver o amor que está envolvido. E os nosso filhos sentem que são amados e que tem um pai para o que der e vier.

7. A confiança que vira ingenuidade

O título já diz tudo, né?

Eu sou muito orgulhosa por ter encontrado um homem que mostra confiança nas pessoas, mas as vezes eu fico até preocupada de saber que pela confiança dele, ele pode acabar se “ferrando” com pessoas com más intenções.

Uma frase que o Kim sempre diz é: “Eu confio na pessoa até que ela me prove ao contrário.” Ele é assim mesmo. Ele confia, o que eu não descordo, mas a malícia também tem que está na mente da pessoa, porque, infelizmente, nem todo mundo carrega essa honestidade e confiança que temos dentro da gente, então temos que confiar desconfiando. 🙁

 

Bom, é só isso que eu tenho em mente agora, mas tenho certeza que não é só isso que simplifica um casamento com um dinamarquês, até porque cada casamento é único e cada dinamarquês também – mas uma boa generalização sobre os dinamarqueses eu tentei fazer, e espero que tenham gostado.

Me mandem outros pontos que vocês acham que estejam faltando que eu suplemento aqui.

Beijinhos!

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  1. Que post legal de ler… Adoro conhecer pessoas de outros países por mais que nunca tenha ido para o exterior e acho que isso que me motiva e mantém meu sonho de passar um tempo fora… Adoro essas diferenças, acho super legal e curioso conhecer um pouco de outro país nem q seja lendo! Seu blog tá muito fofo!! Beijinhos, to torcendo pelo canal no YouTube hahahaha! Beijinhos!

    1. Oiii Camilla!
      Que bom que gostou!!! Isso me deixa muito feliz… 🙂
      Eu acho que você deveria fazer suas malas e ir viajar pelo mundo a fora. Vai ver como é maravilhoso. O único problema vai ser que você não vai querer voltar para o Brasil depois (mas será mesmo que vai ser um problema, hein…rsrs).
      Haha – Fica atenta que já já sai um canal meu!!!
      Beijinhos!!

  2. NATH, achei muita similaridade com o meu namorado americano! Principalmente no quesito expressar os sentimentos, ser o sr gentileza e a parte da confiança! Te falei que vou fazer um post “igual”, porque eu adorei essa ideia!

    1. Sério, Re?! Nossa, que legal!! Queria que os brasileiros aprendessem com eles então, porque infelizmente tem muita mulher por ai sofrendo do coração :(. rsrs

  3. Ler ao seu post me trouxe um alívio incrível. Estou namorando um dinamarquês e realmente algumas coisas no jeito dele me confundem. Bom saber que essas inseguranças são comuns…

    1. Oi Fernanda!
      Pois é, pode ficar bem difícil se relacionar com pessoas com uma cultura tão diferente da nossa, mas acho que a gente só precisa abrir a mente para novidades e dar uma chance e torcer para que dê tudo certo no final. Boa sorte para vcs!! Beijinhos

  4. OI conheci um rapaz ele é dos Estados Unidos mas mora na Dinamarca. sinto muito um distanciamento dele mas não pela distancia se por u estar no Brasil mas ele é muito breve nas palavras. Será que ele não esta tão interessado ou é só o jeito reservado dele.

    1. Oi Néia.
      Cada caso é um caso, então fica meio difícil te responder ao certo, mas no geral os homens daqui são realemente mais reservados. Eles não são que nem os brasileiros de se declararem toda hora. E sabe por que eles fazem isso? Porque eles sabem que nós, mulheres brasileiras, gostamos disso. Aqui na Dinamarca é diferente. As mulheres também são bem reservadas, então uma coisa leva a outra.
      No seu caso, eu não sei porque “seu” cara é americano. Se ele estiver morando aqui por muito tempo, pode ser que ele aprendeu com os dinamarqueses (trust me, a gente perde o nosso jeito de antes com a convivência).
      Homens aqui precisam de mais diretas e não indiretas. Tenta ser mais direta com ele para ver o comportamento dele. Quem sabe ele não se abra mais pra vc?! ☺
      Boa sorte, linda!

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